Prêmio Pinóquio denuncia a irresponsabilidade de multinacionais diante da crise climática

Entre os indicados estão vários gigantes da energia – como a Shell e a Chevron – além de representantes dos setores agrícola, financeiro e da mineração

Olivier Petitjean, BastaMag – Carta Maior

reprodução

 Em cerca de um mês, Paris sediará a COP21 – 21ª Conferência do Clima da ONU – um encontro crucial para tentar conter, enquanto é tempo, as consequências mais catastróficas das alterações climáticas. À medida que as conferências intergovernamentais se sucedem e reduz-se a esperança de se chegar a um acordo com sanções de redução drástica das emissões globais de gases de efeito estufa, o papel central das multinacionais no processo das COPs tem sido cada vez mais contestado. A Conferência do Clima de Paris não será uma exceção.
O Prêmio Pinóquio procura justamente denunciar a influência nefasta e o falso discurso das multinacionais. Este ano, o grande prêmio da irresponsabilidade e da hipocrisia das multinacionais, organizado pela ONG Amigos da Terra com várias outras associações, será inteiramente dedicado ao desafio climático. Nove empresas estão indicadas em três categorias – Lobby, Greenwashing e Impactos Locais – e serão escolhidas pela Internet. A votação já está aberta e vai até 2 de dezembro no site no Prêmio Pinóquio.
As três empresas indicadas na categoria “Lobby” são Avril-Sofiprotéol, Chevron e Total. A primeira, gigante do agronegócio francês é denunciada por seus investimentos em biocombustíveis e seu lobby agressivo, na França e na Europa, para impedir qualquer questionamento sobre os rios de dinheiro que ganha a partir desta forma de energia, cujos benefícios são hoje amplamente questionados. A Chevron é contestada pela forma como impôs o gás de xisto na Argentina, impondo condições extremamente desfavoráveis às autoridades do país. A Total, finalmente, está indicada por seus esforços para promover o gás como energia “limpa”, e até como uma solução para a crise climática, a ponto de controlar os lobbies europeus da energia solar e das renováveis em geral, o que lhe garantiu a ira dos Amigos da Terra e de seus aliados.
Empresas patrocinadoras da COP21 na mira
A categoria “Greenwashing” dá grande destaque aos patrocinadores da COP21, tendo entre os indicados a Engie e a EDF. A primeira é criticada por seus maciços investimentos em carvão e outros combustíveis fósseis (como o gás de xisto), que ela tenta encobrir com verniz “verde” proclamando a sua conversão à causa da transição energética e das renováveis. A EDF, por sua vez, é acusada por suas campanhas publicitárias que exaltam, de forma enganosa, a energia nuclear como uma fonte de energia elétrica “sem CO2”. Última nomeada na categoria, a empresa norueguesa Yara, líder mundial em fertilizantes sintéticos, que hoje procura dar legitimidade a esta importante fonte de gases de efeito estufa (óxido nitroso e dióxido de carbono), criando o conceito de “agricultura climato-inteligente”.
Finalmente, a categoria “Impactos Locais” mira no banco BNP Paribas – outro patrocinador oficial da COP21 – além da Shell e da empresa de mineração Anglo American. O banco francês é questionado por seu importante papel no financiamento da indústria do carvão em todo o mundo. O vigésimo aniversário da execução do poeta e ativista nigeriano Ken Saro-Wiwa traz à tona mais uma vez o dramático impacto social e ambiental da Shell e de outras companhias petrolíferas multinacionais no Delta do Rio Níger. A Anglo American, por sua vez, é denunciada por sua gigantesca mina de carvão a céu aberto El Cerrejón, na Colômbia.
O Prêmio Pinóquio 2015 é organizado pela ONG Amigos da Terra da França e da Europa, com as ONGs Peuples Solidaires, o programa « Une seule planète » e o Corporate Europe Observatory (CEO). A cerimônia de premiação dos prêmios da hipocrisia climática será realizada em 3 de dezembro, em Paris, na Conferência do Clima.
 
Tradução de Clarisse Meireles
Créditos da foto: reprodução
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