RBA: Estudantes e professores prometem barrar, nas ruas, a ‘desorganização’ de Alckmin

EM AUDIÊNCIA PÚBLICA
Classificando como ‘criminosa’ a ideia do governo tucano, comunidade escolar quer debater alternativas para melhorar o ensino e não aceita a ‘reorganização’; nesta sexta, nova passeata na Paulista
por Cida de Oliveira, da RBA publicado 21/10/2015 19:46, última modificação 21/10/2015 20:38
MEMÓRIA/EBC
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Deputados querem convocar o secretário de Educação, Herman Voorwald, para audiências públicas
São Paulo – Reunidos em audiência pública na tarde de hoje (21), na Assembleia Legislativa de São Paulo, professores, estudantes, pais e parlamentares prometeram intensificar mobilização contra o projeto do governador Geraldo Alckmin (PSDB) de reestruturação das escolas por ciclo e fechamento de centenas de outras em todo o estado.
Desde que o projeto foi anunciado, em 23 de setembro, estudantes e professores começaram mobilizações nas escolas e nas ruas, movimento que vem crescendo e levou a Defensoria Pública e o Ministério Público a exigirem esclarecimentos do governador e de seu secretário de Educação, Herman Voorwald. Os órgãos dependem de um fato concreto – a implementação da medida – para entrarem com ação civil pública.
Deputados de oposição ao governo que compõem a Comissão de Educação da Assembleia Legislativa, entre eles João Paulo Rillo (PT), estão realizando audiências públicas pelo interior, como Campinas e Sorocaba. A da capital será realizada no próximo dia 27, às 14 h, no Legislativo paulista.
De acordo com Rillo, já foi protocolado requerimento para convocar o secretário Herman Voorwald.
O estudante Vitor Cerqueira Santana, 16 anos, aluno do 1º colegial da Escola Estadual Padre Saboia, na Chácara Santo Antonio, mora na comunidade Real Parque. Pega duas conduções para ir à escola e outra duas para voltar. Com o fechamento do Saboia, terá de ir estudar numa escola que nem sabe onde fica, na Vila Cordeiro. “No Saboia, a maioria dos alunos mora no Real Parque e vai precisar estudar longe, com mais condução para pegar. É grande a mobilização desde que soubemos que a escola vai fechar”, conta.
Por isso, os estudantes passaram a se organizar. “Criamos páginas e grupos nas redes sociais para discutir isso com mais gente, chamar mais pessoas para a nossa mobilização. Sexta-feira tem outro ato na Paulista. Vamos sair todos da escola pela manhã”, diz.
O professor de Geografia Maurício Costa, da Escola Estadual Calhim Manoel Abud, na Vila California, na zona sul da capital, lembrou que o fechamento de escolas, que considera “criminoso”, não entra na propaganda dos candidatos a um cargo público. “Todos defendem a educação e logo o tema some do debate. Mas agora, com a ameaça de fechamento de escolas, principalmente nas periferias, onde são os únicos espaços públicos para cultura e esporte em muitos casos, é o momento para a educação voltar ao debate. E ver meus alunos mobilizados é o a maior presente que já ganhei”, diz.
Costa, que leciona também na rede privada, diz que a discussão pedagógica ali é justamente a integração entre os professores e entre alunos de diversos níveis como caminho para aprimorar a educação.
“E o governo, ao querer separar, dá mais uma demonstração de estar na contramão.  Tenho certeza de que se intensificarmos a mobilização, vamos dar um passo adiante para debater a educação com a comunidade, a educação que precisamos e queremos. Esse é o momento”.
Em sua crítica ao projeto do governador, o deputado Carlos Giannazi (Psol) destacou o caráter econômico – e não pedagógico – da medida. “Essa ‘reestruturação’ nem sequer consta do Plano Estadual de Educação do governo que tramita na Assembleia. Imposta às pressas, sem ouvir ninguém, resulta do ajuste fiscal do governo, penalizando ainda mais a educação.”
Conforme o parlamentar, a atual medida é ainda mais grave do que a primeira, levada a cabo no governo Mário Covas – Alckmin era o vice-governador –, que fechou escolas, demitiu professores e levou à superlotação. Entre as escolas fechadas, segundo ele, há uma atrás do aeroporto de Congonhas, na capital, que deu lugar a uma companhia da Polícia Militar. “De tão mal-sucedida que foi essa ‘reorganização’ é que a população está assim mobilizada, surpreendendo o governo.”
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