Santayana: VLADIMIR HERZOG E A SANHA DO MAL NO COMBATE À LIBERDADE.


Por Mauro Santayana – 19/10/2015

Amanhã, terça-feira, 20 de outubro, às 20 horas, no TUCA, será realizada, em São Paulo, a cerimônia de entrega do Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog e do Prêmio Especial Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos 2015, do qual tenho a honra de ser um dos agraciados.

A história da origem de Vladimir Herzog e de sua morte está registrada no livro do meu amigo e companheiro de profissão Audálio Dantas, “As duas guerras de Vlado Herzog” – da perseguição nazista à morte sob tortura no Brasil.”

Judeu, socialista, nascido na Croácia, com o mesmo prenome de Lenin – embora brasileiro como poucos, a ponto de deixar a segurança do exílio em Londres para voltar para o Brasil em plena ditadura – intelectual e não um brutamontes, aparentemente frágil em sua compleição física, mas fortíssimo – principalmente em seus derradeiros instantes – em seu caráter e suas convicções, Vlado reunia em sua pessoa tudo o que os seus torturadores odiavam mais caninamente.

Por isso, a intenção era expô-lo publicamente, depois de extrair-lhe uma suposta “confissão”, fazendo com que assumisse coisas que não havia feito, que delatasse amigos, acusando-os de terem feito coisas que não haviam feito, que renegasse suas convicções – como outros judeus faziam antes, quebrados, destruídos, a caminho de serem queimados na fogueira, diante de seus algozes da Santa Inquisição – reforçando, como “arrependido”, a tese da existência de uma conspiração comunista e antinacional no Brasil, o que justificaria ainda mais prisões, mais assassinatos, mais torturas.
Quem matou Vlado, há exatos 40 anos, naquela manhã infame, nos porões do DOI-CODI, em São Paulo – forjando a absurda tese de seu suicídio, pendurado, pelo pescoço, quase que de joelhos, pelo cinto, a uma altura de pouco mais de um metro da janela da cela em que o colocaram – queria matar as suas idéias, o seu passado, a sua visão de mundo: sua crença na liberdade, na prevalência do ideal de justiça e do direito de opinião – mesmo quando mergulhado na mais absurda situação de barbárie, nas mãos de quem podia espancá-lo e matá-lo, caso não se dobrasse à sua vontade, como com ele fizeram.

Seu assassino, como outros covardes daquela época, extremamente machos diante de presos desarmados e indefesos, com a metade do seu tamanho, muitos dos quais, como Vlado, nunca haviam pegado em armas, e ali tinham comparecido de moto próprio, por intimação, escondeu-se depois no anonimato, reunindo-se, na história, ao submundo sombrio dos psicopatas sádicos e doentes que servem como reserva de sabujos para o autoritarismo.

Enquanto o menino croata que escapou do nazismo aos seis anos, para morrer nas mãos dos carrascos do país para o qual veio em busca de dignidade e liberdade, continuará, agora, e no futuro, como um símbolo e um poderoso marco do que existe de melhor no ser humano.

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