Lula defende Dilma, mas critica ajuste fiscal e pede ‘ousadia’

ENFRENTAMENTO

“Não tem um país que tenha feito ajuste e melhorado a economia”, disse o ex-presidente, que também atacou a oposição. Para ele, com discurso de ontem presidenta ‘começou a fazer história como líder política’
por Vitor Nuzzi, da RBA publicado 14/10/2015 
PAULO LOPES/FUTURA PRESS/FOLHAPRESS
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Lula participa da abertura do 12º Concut, em São Paulo, criticando ajuste fiscal e sanha golpista da oposição
São Paulo – Ao mesmo tempo em que defendeu a presidenta Dilma Rouseff, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu “ousadia” ao governo e criticou o ajuste fiscal. Último orador na abertura do congresso da CUT, já no final da noite de ontem (13), ele atacou principalmente a oposição, que para Lula adotou como política não deixar Dilma governar. Para Lula, essa postura coincide com a chegada simultânea ao poder, na América Latina, nos últimos anos, de vários governos de perfil progressista e defensores de políticas sociais. “Acho que é exatamente por isso que estamos vivendo esse momento de enfrentamento”, disse Lula, para quem a presidenta precisa de “paz” para exercer o seu mandato. Mas ele também cobrou mudanças, afirmando que os próprios sindicatos às vezes enfrentam dificuldades para convencer suas bases sobre os caminhos a seguir.

“Não tem um país no mundo que tenha feito ajuste e que tenha melhorado a economia”, disse Lula, pedindo medidas de estímulo ao consumo, com ampliação de crédito e financiamento. E alertou para o risco de adotar um discurso “da direita”, de que é preciso ter desemprego para não haver inflação. “A impressão que passamos à sociedade é que adotamos o discurso do que perderam (a eleição).” Ao ouvir gritos de “Fora, Levy”, contra o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, o ex-presidente disse que nunca gostou “de jogar a culpa nesta ou naquela pessoa”. Logo adiante, lembraria que não foi o “mercado” que votou em Dilma em 2014, mas “a peãozada, os trabalhadores organizados”.
Para Lula, a presidenta “começou a fazer história como líder política” com o discurso feito na abertura do congresso da CUT, em que defendeu seu mandato e atacou o que chamou de “golpismo escancarado” da oposição. Segundo ele, Dilma não foi apresentar um relatório, mas dizer: ‘Sou presidenta da República Federativa do Brasil com mandato conquistado pelo voto e vou exercer meu mandato na sua plenitude’. “É essa Dilminha que elegemos.”

Pedaladas

Ele voltou a criticar a oposição em sua “loucura anacrônica” de impedir o exercício do mandato. “A Dilma não ganhou eleição para ficar batendo boca com os perdedores. Se quiserem chorar, vão comprar cebola para descascar.” Sobre o que se chama de “pedaladas fiscais”, Lula disse que as medidas foram feitas para garantir a manutenção de programas como o Minha Casa, Minha Vida e o Bolsa Família.
O ex-presidente também elogiou a postura da CUT, afirmando que este é um congresso de “afirmação” da central, cujo discurso mostra compreensão do momento brasileiro, fazendo crítica e também mostrando disposição de buscar saídas para sair da crise. “A gente precisa aprender a ouvir as críticas daqueles que são nossos companheiros. Ela (Dilma) sabe que cobramos, mas que somos amigos. Ela tem todo o tempo do mundo para fazer o que prometeu na campanha eleitoral. Ela sabe dos compromissos que tem. Sabe que estamos em dívida, que precisamos fazer mais.”
Para Lula, é momento de e o Brasil voltar à normalidade e voltar a falar em crescimento. “Este país não pode ficar estagnado”, disse o ex-presidente, que antes de ir ao evento da CUT – no Palácio das Convenções do Anhembi, zona norte de São Paulo – participou do 1º Congresso do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), em São Bernardo do Campo, no ABC paulista. Dilma estará lá nesta quarta-feira.
Maria Mazé, do MPA, lembrou que o congresso dos agricultores ocorre no mesmo local (Pavilhão Vera Cruz) onde a CUT foi fundada, em agosto de 1983. Ali se discute uma “aliança operária e camponesa por soberania alimentar, contra o golpismo, o machismo, a criminalização (dos movimentos sociais) e o retrocesso, e também em defesa da Petrobras”.
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