Helena Sthephanowitz: Rede de Marina num mar de peixes polêmicos

Por Helena Sthephanowitz – 11/10/2015

Caiu na Rede é peixe. Partido da ex-senadora Marina Silva, a Rede Sustenta-bilidade seguiu como arrastão no mar e trouxe peixes polêmicos para seu quadro de filiados. A legenda, que tem como bandeira ser uma alternativa à política praticada por outras siglas, reúne hoje políticos que foram envolvidos em denúncias de corrupção, improbidade administrativa e atos de vandalismo contra o patrimônio público. Eles convivem agora, no mesmo espaço, com nomes conhecidos pela militância no campo da esquerda e no combate aos desvios de conduta, como o senador Ran-dolfe Rodrigues (AP), a ex-senadora e vereadora em Maceió, Heloísa Helena, e os deputados fluminenses Miro Teixeira e Alessandro Molon.
 
Na assinatura de filiação de Randofe à Rede, no mês passado, Marina foi direta:
 
 Nós não temos feito abordagem pensando em quantidade, estamos buscando compatibilizar a quantidade e a qualidade.


Segundo reportagem publicada hoje no O Globo, a declaração de Marina é seguida como um mantra dentro da Rede, que prega ética na política. Mas há controvérsias. O vereador do Recife Luiz Eustáquio, por exemplo, foi denunciado pelo Ministério Público com outros vereadores e ex-vereadores por improbidade administrativa e evolução patrimonial incompatível com a renda. O MP apontou para a apropriação de quase R$ 1 milhão com uso de notas fiscais irregulares.
 
Então membro da Comissão Executiva Nacional Provisória da Rede, Pedro Piccolo Contesini também navega em polêmicas. Ele foi identificado pela polícia, em 2013, como uma das sete pessoas que comandaram atos de vandalismo no prédio do Itamaraty, em Brasília, nos protestos de junho daquele ano. No ataque, Contesini usava a camisa da Rede. Ele admitiu a participação no caso.
 
Em 2012, o Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo manteve a sentença que condenou o então candidato do PSB à prefeitura de Serra, Audifax Barcelos, atual prefeito e filiado à Rede. Ficou comprovado que ele fez propaganda eleitoral irregular e teve de pagar multa. Em nota, Barcelos disse que o problema foi provocado por seu ex-partido.
 
No ano anterior, o ex-governador do Distrito Federal José Roberto Arruda (ex-DEM) afirmou à Justiça que o deputado distrital Chico Leite (DF), hoje na Rede, participava do esquema de corrupção revelado pela Operação Caixa de Pandora. Arruda contou que o parlamentar teria lhe pedido dinheiro, mas nada foi provado. Chico foi investigado pela Câmara Distrital e pelo MP.
 
À época, eu pedi a abertura de processos, que foram arquivados – conta Chico, que veio do PT e justifica sua saída: – O PT se afastou dos princípios defendidos na época da criação do partido.
 
Nos quadros da Rede há também espaço para nomes originários de partidos de direita, como o vereador no Rio Márcio Garcia. Ele foi vice de Anthony Garotinho na chapa do PR ao governo do estado, em 2014. Garcia comandou uma greve de bombeiros em 2011 e chegou a ser preso:Eu me identifico com os ideais da Rede e tenho uma grande capacidade de adaptação.
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