Soneto XXII, de Shakespeare

Enviado por luisnassif, qui, 01/08/2013 – 12:00

Sugerido por Gilberto Cruvinel

William Shakespeare
tradução de Ivo Barroso.

Soneto XXII

O espelho não me prova que envelheço
Enquanto andares par com a mocidade;
Mas se de rugas vir teu rosto impresso,
Já sei que a Morte a minha vida invade.

Pois toda essa beleza que te veste
Vem do meu coração, que é teu espelho;
O meu vive em teu peito, e o teu me deste:
Por isso como posso ser mais velho?

Portanto, amor, tenhas de ti cuidado
Que eu, não por mim, antes por ti, terei;
Levar teu coração, tão desvelado

Qual ama guarda o doce infante, eu hei
__E nem penses em volta, morto o meu,
__Pois para sempre é que me deste o teu.

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